segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

ENSINO DE HISTÓRIA: FUNDAMENTOS E MÉTODOS


http://wwwrbs.blogspot.com.br/2012/05/resenha-da-obra-ensino-de-historia.html

 

 

RONALDO BRASIL

segunda-feira, 7 de maio de 2012

RESENHA DA OBRA: ENSINO DE HISTÓRIA: FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE CIRCE MARIA FERNANDES BITTENCOUR

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE- UFS
CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS- CECH
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA- DHI
PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA- PIBID

ORIENTADORA: Prof.ª Dra. CÉLIA COSTA CARDOSO                                                        RONALDO BRASIL DOS SANTOS






RESENHA DA OBRA: ENSINO DE HISTÓRIA: FUNDAMENTOS E MÉTODOS DE CIRCE MARIA FERNANDES BITTENCOURT










São Cristóvão,
Fevereiro de 2011
            Suas contribuições na área de ensino de história e participação em diversas obras fazem de Circe Maria Fernandes Bittencourt uma referência no tocante ao ensino no Brasil, seus métodos e fundamento ao longo da história da educação brasileira. Recentemente vem trabalhando com a formação de professores e tem se dedicando à educação indígena.
            Suas orientações de cursos de pós-graduação trazem para suas obras novas abordagens e questionamentos sobre o ensino de história em todo país. Há, inclusive, no presente tratado, referências feitas a grupos de pesquisas, os quais considera de suma importância para mostrar os dados sobre o ensino e contribuir com apontamentos recentes, pois o ensino é algo dinâmico e requer um acompanhamento rigoroso por parte do pesquisador.
            É justamente a preocupação de Circe Bittencourt com questões inerentes ao ensino de história que instigou um trabalho sobre seus fundamentos e métodos. Os questionamentos e polêmicas que circundam a área educacional e as polêmicas sobre o método de ensino ideal para as novas gerações são lançados no intuito de ajudar o público docente, chamando a atenção para os novos desafios da profissão.
             A partir do ano de 1967, quando obtém o nível superior, Circe se envolve na história das disciplinas escolares e Currículos além de estudos sobre a história do livro didático. Não só suas pesquisas, mas também os trabalhos de tantos outros pesquisadores brasileiros e estrangeiros ajudaram a compor a presente obra, cuja intenção central é abrir caminhos para uma prática de ensino prazerosa e ao mesmo tempo difícil e desafiante.
            A autora trás uma vasta linha de discussões a cerca da história do ensino de história dividido sistematicamente em três unidades. Como abordagem essencial para a importância da prática escolar, trás uma reflexão sobre o conceito de disciplina escolar, fazendo apontamento de alguns autores ingleses e franceses sobre como eles vêem a disciplina escolar e sua relação com o conhecimento produzido na academia.
            Segundo o pesquisador francês Yves Chevallard, que rotula a disciplina escolar como apenas sendo uma “transposição didática do conhecimento acadêmico, a disciplina escolar depende do conhecimento erudito e que essa didática vulgariza o conhecimento científico.” Alguns estudiosos, sobretudo franceses e ingleses não legitimam o conhecimento produzido em sala de aula, outros vão mais além, acreditam numa hierarquização entre os dois níveis, em que o conhecimento escolar e totalmente dependente do conhecimento acadêmico, o papel do professor é de um adaptador do conhecimento científico ao meio escolar, fazendo uso da didática para transformar esse conhecimento acessível aos alunos.
            Cice Bittencourt também expõe as versões antagônicas, citando o inglês Ivor Goodson e o francês André Chervel que defendem a disciplina escolar como entidade específica e com um conhecimento próprio e distinto do acadêmico. Seus argumentos se baseiam no caráter prático que o conhecimento escolar possui, o qual dispõe de uma nova conotação, ou seja, a ação dos agentes sociais e políticos, os quais necessitam de mudanças constantemente, fazendo-os abandonar, muitas vezes, referências científicas.
            Segundo André Chervel, as disciplinas escolares se constituíram de acordo com as necessidades sociais que variam no tempo e no espaço, ou seja, o desenvolvimento industrial, a tentativa de criar um sentimento patriótico na sociedade etc, criam necessidades no meio escolar, ou numa cultura escolar e estabelecem finalidades conteúdos, métodos e forma de avaliação das disciplinas que compõem, não aleatoriamente, o currículo escolar.
             Em seguida, Ivor Goodson é novamente mencionado quando a autora fala que o conhecimento escolar produz seu próprio conhecimento, atendendo as necessidades sociais e políticas, tomando como exemplo, a Educação Ambiental.
            Para o historiador francês Henri Moniot, a divisão dos períodos históricos surgiu de uma necessidade escolar que forneceu modelos para a academia criando áreas de pesquisa em História Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea. Os cursos superiores, mencionado o caso específico de História se apóiam no conteúdo do livro didático ou de programas de vestibulares. Com tom de conclusão, Bittencourt encerra com a afirmativa que a História escolar tem um perfil próprio, assim como a academia e que não se podem separar os dois níveis de conhecimento.
            Ao destacar o papel do professor neste processo, Circe inicia o parágrafo “Professores e Disciplina Escolares” afirmando ser o professor um peça fundamental do processo de ensino e que é ele quem transforma o saber a ser ensinado em saber a ser apreendido. O professor não é um mero “reprodutor do saber, sua atividade exige saber complexo, desenvoltura, domínio”.
            Para os estudiosos do saber docente, o canadense Maurice Tardif e a brasileira Ana Monteiro, os professores dominam os saberes das disciplinas, os currículos, o saber da formação profissional e os saberes da experiência, dessa forma, o saber docente deve ser reconhecido como saber original.
            Como componente da primeira unidade o capítulo II faz um breve histórico do ensino de história.
            Isolado do conhecimento científico na época do Brasil império, a História, dentro do ensino tinha funções determinadas pelos agentes políticos, como para desenvolver na criança um sentimento de identidade nacional com o intuito de homogeneizar. Em 1827 no Brasil, o básico considerado para se aprender no ensino primário era leitura, escrita e aritmética. Qualquer tema histórico abordado tinha o caráter exemplar de dever patriótico e respeito aos governantes. Os vertentes históricos abordadas nas escolas tinham a finalidade específica de modelar comportamento e a forma de pensar do indivíduo vista pela História Sagrada (aplicada muitas vezes sob sabatina e castigos físicos, História Patriótica, cívica e moralista, A história Heróica e a História Biográfica). Calcando-se, sobretudo no modelo educacional francês, o Brasil acabou adotando estereótipos preconceituosos europeus que levaram ao enaltecimento de uma história elitizada, voltada para contar apenas às glórias que os “descobridores” tiveram ao levar a “civilização” ao Brasil.
            Em seguida a autora fala da memorização do processo de aprendizagem que perdura até hoje no sistema de ensino brasileiro, como datas nomes e frases repetidas em toda parte.
            Já no ensino secundário no primeiro império, prevalece uma história humanística de estudos clássicos e do latin, esse tipo de conhecimento diferenciava a elite do povo iletrado e sem acesso à educação. Esse mesmo humanismo  é bastante criticado  pelos cientistas positivistas que se voltavam para a influência do capitalismo industrial, a história e usada essencialmente para justificar ações e louvar os constritores do estado-nação, um herói branco, europeu, sobretudo português. Seja nas escolas ou nos discursos públicos era contada uma história fantasiosa e manipulada pelos agentes do poder. Transmitia-se ao povo a idéia de uma Europa boa e bela, berço da nação brasileira. Isso explica, por exemplo, a organização dos períodos históricos na qual o Brasil “nasce” depois do medievo, vem sempre depois como algo “atrasado”. A História Geral é tida como algo maior, mais importante.
            Ainda dentro do histórico da disciplina, temas na obra da Circe Maria Fernandes Bittencourt tópicos dedicados às renovações curriculares e a atuação dos novos métodos e tecnologias o qual elenca uma necessidade dos novos métodos de ensino entrarem na órbita do mundo globalizado. A autora lança alguns questionamentos sobre como a escola se prepara para receber as novas gerações na “cultura das mídias”. Além disso, ressalva o cuidado com as informações das novas mídias como a televisão e o computador. O acesso a essas novas tecnologias não pode servir  de instrumento de exclusão social e cultural, tendo em vista e realidade precária da escola pública brasileira.
            Diante de tantos desafios que as novas gerações fornecem para as propostas curriculares, podem ser destacados alguns avanços:
·         Maior autonomia do professor;
·         Fundamentação pedagógica construtivista;
·         O aluno é visto como sujeito do processo, interferindo no andamento com seu “conhecimento prévio”.
            Desde a década de 1930 que formuladores de propostas curriculares já vinham
Pensando em substituir as História e Geografia por Estudos Sociais tendo como influência pedagógica as teorias do suíço Jean Piaget (1896 – 1980), segundo a qual as crianças desenvolvem por estágios determinados pela maturação biológica que delimitam sua capacidade de aprendizagem, ou seja, nas séries iniciais do primário as crianças não teriam condições de aprender conceitos históricos, lhe bastando um conteúdo bem mais simples como a realidade de sua família ou do seu bairro e a sociedade que a rodeiam, cabendo às séries posteriores (atual 5ª ano) o estudo da história mundial e dos conceitos. Esse modelo foi implantado a partir da década de 1960 pelos governos militares. A partir de 1985, sob propostas e reivindicações de professores e defensores do retorno da história e Geografia não só no ensino primário (substituindo Estudos Sociais), mas também secundário (substituindo os estudos de Organização Social e Política Brasileira), termina a ditadura e com ela alguns aspectos de seu modelo de ensino.
            A partir de 1985 se tornou cada vez mais presente nas propostas de modelos de ensino no Brasil e se consolidou com a Lei de Diretrizes e Bases da educação (LDB/96) e os novos PCNs (Planos Curriculares Nacionais) o ensino de História e Geografia para todos os níveis de ensino.
            Baseados na perspectiva teórica de um dos grandes críticos da teoria de Piaget, o desenvolvimentalista Levy Vygotsky que considerava as crianças exploradoras independentes de suas condições biológicas, os PCNs prevêem o estudo dos conceitos históricos, noção de tempo e espaço históricos já na alfabetização, partindo de uma premissa que o conteúdo pode ser introduzindo de um modo adequado a cada fase da criança. 
            Ao falar dos PCNs a autora pontua algumas de suas características e objetivos do ensino de história implícitos como a intenção de criar cidadãos políticos com um sentimento de identidade.
            Bittencourt aborda, embora de maneira sucinta, alguns métodos inovadores no ensino de história que não vingaram, mais causaram polêmica e representou uma tentativa de ruptura ao sistema de ensino tradicional como a história temática que valoriza as ações sociais ao invés das políticas. Paulo Freire (1921 – 1997) foi um dos maiores representantes de um ensino inovador, totalmente desvinculado de interesses políticos.
            Na unidade II, Circe Bittencourt dispõe de diretrizes de como selecionar os conteúdos históricos e alerta o profissional educador para o “conteúdo significativo”, insistindo que o professor deve ter condições de atender a um público diverso que exige o uso de diferentes estratégias: o alunato. Além disso, deve estar sempre atualizado e atento às produções historiográficas.
            Sobre o conteúdo a ser ensinado, deve-se observar as diversas maneiras de transmiti-lo, por exemplo, uma história narrativa, econômica ou social. A história das mentalidades assim como a história coletiva ou a micro-história, surgidas com o Annales. Novas abordagens possibilitam o aparecimento de novos sujeitos, o que significa uma visão mais social e cultural da história.
            Ao falar sobre conteúdos históricos, surge a crítica da autora sobre o trato atual da história nacional, que vem sendo deixada para segundo plano, dando lugar a uma história geral ou global. O sistema econômico, atrelado ao estágio de uma mundialização da economia, relega a abordagem do nacional a algo menos importante, embora aja muitas correntes historiográficas que rompem com o modelo de ensino vinculado a padrões político-econômicos.
O mesmo tipo de crítica é feito à história regional subordinada à história nacional, que no caso brasileiro, acaba sendo história da região hegemônica, geralmente São Paulo. A historiadora Maria de Lourdes Janotti enfatiza que as transformações sociais e econômicas não determinam o destino de um país imenso como o Brasil, as outras regiões também tiveram sua parcela de importância no processo histórico. Bittencourt sublinha essa questão com o exemplo do livro didático que privilegia a história do local em que foi produzido.
            Ao dialogar com o leitor a respeito de como o professor de história deve falar dos conceitos em sua disciplina, Circe Bittencourt descreve três procedimentos fundamentais de como dever ser passados conceitos como: capitalismo, escravidão, aristocracia, liberalismo e cidadania:
·         Situá-los no tempo e no espaço;
·         Explicar que estes conceitos são produtos de uma classe, numa determinada época, criados ou substituídos;
·         Os contatos entre sociedades provocam mutações de conceitos e agregação de outros.
            Em seguida, a autora lança um panorama sobre o método de ensino tradicional e o inovador considerando suas características ao longo do tempo.
            O método tradicional começou a ser criticado no Brasil na década de 1980 quando surgem em sua oposição muitas propostas inovadoras, porém não deve ser banido do ensino tendo em vista que já foram muito importantes e fazem parte de uma cultura escolar e que qualquer mudança que venha a ocorrer dever ser construída e não imposta.
            Dentre os métodos inovadores há o dialético o qual permite o confronte de idéias e a formação crítica do aluno. Em história tem que haver espaço para o contrário, a dúvida, tal perspectiva se torna viável para a educação construtivista prevista nos próprios PCNs. Essa proposta, tão difundida pelo educador Paulo Freire, não abandona o crédito que é dado ao conhecimento prévio do aluno, cabendo ao professor o papel diagnosticar e reorientar.
            Ao elencar a importância da interdisciplinaridade em história para o ensino, Circe Bittencourt cita as aproximações necessárias entre história e meio ambiente ou a História Ambiental, iniciada pelos estudos dos annalistas franceses na segunda metade do século XX, como March Bloch, Fernand Braudel e Le Roy Ladurie, além de destacar os estudos dos brasileiros Sérgio Buarque de Holanda e Josimar de Almeida e do americano Warren Dian que se dedicou aos estudos da devastação da Mata Atlântica e a cultura dos povos indígenas.
            Outra aproximação citada é o estudo do patrimônio e da memória coletiva que são de suma importância por serem capazes de, através do estudo do meio, introduzirem os alunos no método de investigação histórica.
            Na terceira e última unidade é dado atenção especial ao livro didático e a inserção do documento histórico no ensino de história.
            O livro didático não é tudo, além da autora entender que é exercício de política em sala de aula feito pelo agente do poder, sugere que com a ajuda do professor o material didático pode ser produzido pelo próprio aluno, ao escrever sobre um documento histórico, além de poderem produzir jogos, mapas, maquetes etc.
            O conteúdo do livro didático é visto com preocupação por Bittencourt não só por ser um instrumento ideológico, mas ser tratado como lucro dentro do sistema capitalista. Além disso, trás a consagração de fatos considerados eixos centrais da história como revoluções, guerras, descobrimentos e independências. Outros estudiosos tecem preocupações parecidas sobre as imagens e suas legendas, pois constroem o imaginário do aluno. O livro didático tem uma difícil, por ser categórico, dificulta a correção de estereótipos preconceituosos formados com o seu mau uso. A autora também trata algumas características com a mistura de instrumentos tradicionais e inovadores como a cronologia, a presença do estruturalismo, indicações de atividades lúdicas para determinada faixa etária.
            Apesar de muitas vezes ser tratado como fonte única do conhecimento, a autora não descarta a importância do seu uso, defende um uso adequado, ou seja, o livro é uma possibilidade auxiliar no conhecimento, pode ser usado como um guia e ser lido de forma espontânea pelo aluno.
            O uso didático dos documentos escritos e não escritos em sala de aula encerra as discussões propostas por Circe Bittencourt. Ferramenta que possibilitam a dinamização do conhecimento histórico, o uso de documentos históricos em sala de aula possibilita à livre interpretação do aluno em contato com métodos de pesquisa histórica, embora alguns historiadores sejam contra por acharem que há nesse método a tentativa de criar “pequenos historiadores”.
            Bittencourt salienta que a atividade da pesquisa histórica requer cuidados ao trabalhar com esses documentos de maneira didática, esse método apenas deve incitar a criatividade do aluno que deve ter apenas um primeiro contato e não ser obrigado a fazer uma análise complexa.
            Os documentos que devem se inseridos em sala de aula mencionados são: jornais, poemas, textos literários, romances, documentos pessoas dos alunos, obras de arte, peças de museus, iconografias diversas, filmes e músicas.
            Diante das abordagens feitas por Circe Bittencourt, podemos concluir que a atividade pedagógica em História é bastante complexa, levando em consideração as várias metodologias que podem ser adotadas pelo professor, tais discussões servem como solucionadoras de muitos problemas que acompanham a história da disciplina. A subjugação do modelo educacional brasileiro à economia neoliberal representa o novo obstáculo à realização de um ensino voltado parta atender a realidade brasileira, ou seja, o ensino feito para elevar o padrão de vida da sociedade. Questionamentos, críticas construtivas e discussões são meios para se chegar a uma conclusão, essa conclusão pode gerar reivindicações da sociedade ou de seus representantes o que interfere de alguma forma nas políticas públicas voltadas para um ensino de qualidade. Hoje temos um ensino e um profissional educador mais aberto a mudanças, uma história disposta a ser vista de diversas maneiras, um ensino que pelo menos em propostas é instigante e enriquecedor da consciência, embora ainda não despreze a prática tradicional da memorização.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação de da Pedagogia: Geral e Brasil. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2006.
BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004.
SHAFFER, David R. Psicologia do Desenvolvimento: Infância e Adolescência. Tradução de Cintia Regina Pemberton Cancissu. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

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